Encontro Grupo Travalho Reforma Fiscal
fevereiro
18
2026
-
Sede Grupo Travalho
Rua de tchamba 16, Maputo
-
13:40 PM - 16:00 PM SAST
Grupo de Trabalho da Reforma Fiscal, criado no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, reuniu-se na cidade de Maputo para analisar as propostas submetidas pelos cidadãos durante a fase de consulta pública realizada nas províncias de Cabo Delgado, Sofala, Nampula, Zambézia e Maputo. A reunião contou com a presença de representantes do Ministério da Economia e Finanças, da Autoridade Tributária, da sociedade civil, do setor privado, das associações de jovens e mulheres, e das comunidades afetadas por projetos extractivos.
O objetivo principal do encontro foi avaliar as 247 contribuições recebidas, identificar as propostas com maior apoio popular e viabilidade técnica, e decidir quais seriam incorporadas no anteprojeto de lei da reforma tributária a ser submetido à Assembleia da República.
Atas de Reunião
Ata da Reunião do Grupo de Trabalho da Reforma Fiscal
Data: 10 de março de 2026
Horário: 09h00 às 16h30
Local: Sala de Conferências do Ministério da Economia e Finanças, Maputo
Presidência: Dr. Amílcar Tivane (Coordenador do Grupo de Trabalho)
Participantes
Dra. Fernanda Langa (Ministério da Economia e Finanças)
Dr. Carlos Macuácua (Autoridade Tributária)
Dra. Isaura Nhamona (Fórum da Sociedade Civil para o Diálogo Nacional)
Eng. Sérgio Comé (Confederação das Associações Económicas)
Sra. Anifa Momade (Associação de Mulheres Empresárias)
Sr. Lourenço Sambo (Plataforma da Juventude)
Representante das Comunidades de Cabo Delgado (Sr. Momade Issufo)
Representante das Comunidades de Tete (Sr. Armando Gimo)
Ordem de Trabalhos
Verificação de quórum e abertura
Apresentação do relatório das consultas públicas provinciais
Análise e debate das propostas cidadãs
Decisão sobre propostas a incorporar no anteprojeto
Definição dos próximos passos
Desenvolvimento da Reunião
1. Abertura e verificação de quórum
O Dr. Amílcar Tivane declarou aberta a reunião, constatando a existência de quórum. Agradeceu a presença de todos e destacou a importância histórica do momento: "Pela primeira vez, as comunidades estão a ser ouvidas diretamente na definição das políticas fiscais do país".
2. Apresentação do relatório das consultas públicas
A Dra. Fernanda Langa apresentou o relatório consolidado das consultas públicas realizadas em fevereiro de 2026. Foram realizadas 18 sessões públicas em 5 províncias, com a participação de 1.243 cidadãos. Foram submetidas 247 propostas escritas, das quais:
45% relacionadas com justiça tributária e taxas sobre produtos essenciais;
30% sobre transparência na gestão das receitas dos recursos naturais;
15% sobre simplificação de impostos para pequenos negócios;
10% sobre proteção social e compensação a grupos vulneráveis.
3. Análise e debate das propostas cidadãs
O grupo procedeu à análise detalhada das propostas, agrupadas por temas:
Justiça e progressividade tributária:
A sociedade civil destacou a proposta nº 78 (Cabo Delgado) que sugere a criação de um escalão de isenção do Imposto sobre Pessoas Singulares (IRPS) para rendimentos até 15.000 meticais mensais. O setor privado alertou para o impacto na arrecadação, mas reconheceu a necessidade de aliviar a carga sobre os trabalhadores de baixos rendimentos.
Fiscalidade extractiva:
As comunidades de Tete e Cabo Delgado apresentaram propostas convergentes (nº 112 e 145) defendendo que 10% das receitas dos projectos extractivos sejam canalizadas diretamente para um fundo de desenvolvimento local nas áreas de exploração. Foi um dos pontos mais debatidos, com forte consenso sobre a necessidade de as comunidades sentirem os benefícios da exploração dos recursos.
Proteção social:
A proposta nº 203 (Zambézia) sugeriu a criação de um mecanismo de compensação automática para famílias vulneráveis sempre que haja aumento de impostos indiretos (como IVA) sobre produtos da cesta básica.
Simplificação para pequenos negócios:
Várias propostas (Nampula e Sofala) apontaram a necessidade de simplificar o Pagamento Simplificado de Impostos (PAGSI) e alargar o prazo de pagamento para pequenos comerciantes informais.
4. Decisão sobre propostas a incorporar no anteprojeto
Após debate, o Grupo de Trabalho deliberou incorporar as seguintes propostas cidadãs no anteprojeto da reforma fiscal:
Após debate, o Grupo de Trabalho deliberou incorporar as seguintes propostas cidadãs no anteprojeto da reforma fiscal:
Proposta: Criação de escalão de isenção do IRPS para rendimentos até 15.000 MT
Origem: Cabo Delgado
Decisão: Incorporada - A medida visa proteger os trabalhadores com baixos rendimentos, retirando-os da tributação.Proposta: Canalização de 10% das receitas dos recursos naturais para fundo de desenvolvimento local
Origem: Tete e Cabo Delgado
Decisão: Incorporada - Será criado o Fundo de Desenvolvimento Local financiado por esta percentagem, com gestão participada pelas comunidades.Proposta: Mecanismo de compensação automática para famílias vulneráveis face a aumentos de impostos indiretos
Origem: Zambézia
Decisão: Incorporada - O mecanismo será articulado com o Instituto de Ação Social, garantindo transferências diretas para as famílias cadastradas.Proposta: Simplificação do PAGSI e alargamento do prazo de pagamento
Origem: Nampula e Sofala
Decisão: Incorporada - O novo código fiscal simplificará o processo e permitirá pagamentos trimestrais.Proposta: Publicação trimestral de relatórios de receitas dos recursos naturais
Origem: Maputo (sociedade civil)
Decisão: Incorporada - Reforço da transparência com relatórios em linguagem acessível ao cidadão comum.Proposta: Isenção de IVA sobre produtos da cesta básica
Origem: Múltiplas províncias
Decisão: Não incorporada - Considerou-se que a isenção total beneficiaria mais as classes altas; optou-se por manter IVA baixo mas reforçar compensações diretas.
5. Próximos passos
O Dr. Amílcar Tivane anunciou as seguintes etapas:
Até 31 de março: Elaboração da versão preliminar do anteprojeto com as propostas incorporadas;
Abril de 2026: Nova ronda de consultas para validação do anteprojeto com a sociedade civil;
Maio de 2026: Submissão do anteprojeto ao Conselho de Ministros;
Junho de 2026: Entrega à Assembleia da República para discussão e votação.
Encerramento
Nada mais havendo a tratar, o Coordenador agradeceu a participação de todos e deu por encerrada a reunião às 16h30, da qual se lavrou a presente ata.
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