Defesa e Segurança
Preguntas para debate
Como pode Moçambique modernizar as suas Forças de Defesa e Segurança para responder eficazmente às ameaças atuais, como o terrorismo em Cabo Delgado e o recrudescimento da criminalidade urbana?
Que mecanismos de controlo e transparência são necessários para garantir que as Forças de Defesa e Segurança atuam no estrito respeito pelos direitos humanos e pelo quadro legal?
Como fortalecer a coordenação entre as forças nacionais e os parceiros internacionais (Ruanda, SADC, União Europeia) sem comprometer a soberania nacional?
Que papel podem desempenhar as comunidades locais e a sociedade civil na prevenção de conflitos e na construção de um ambiente de segurança sustentável?
Descrição
A presente proposta de reforma do Setor de Defesa e Segurança em Moçambique surge num contexto de profundas transformações e desafios crescentes à segurança nacional. O país enfrenta ameaças complexas e multifacetadas, incluindo a insurgência terrorista em Cabo Delgado, que já dura mais de cinco anos e continua a causar deslocamentos e sofrimento às populações, o recrudescimento da criminalidade violenta nas áreas urbanas, e a necessidade de garantir a estabilidade pós-eleitoral e a coesão nacional .
O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, Daniel Chapo, tem reiterado que o combate ao terrorismo constitui uma prioridade estratégica nacional, sublinhando a necessidade de reforçar a prontidão, a profissionalização e a eficácia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Segundo o Chefe do Estado, o contexto atual impõe respostas firmes e inteligentes face a ameaças cada vez mais complexas, que exigem uma abordagem integrada e orientada para o fortalecimento da Defesa Nacional .
No entanto, o setor enfrenta desafios estruturais significativos. O governo anunciou um corte de 35% no orçamento direto de defesa para 2025, reduzindo os investimentos para cerca de 20,6 bilhões de meticais, numa altura em que a instabilidade aumenta. Especialistas alertam que esta redução pode comprometer operações estratégicas num momento crítico .
A reforma do setor de segurança em Moçambique deve, por isso, assentar numa visão integrada que combine a modernização das capacidades militares e policiais, o reforço da coordenação interinstitucional e internacional, a promoção da transparência e do respeito pelos direitos humanos, e o envolvimento das comunidades na construção da paz e da segurança .
No âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, a proposta reconhece que a segurança é um bem público que requer legitimidade social e participação cidadã. Recomenda-se, assim, a realização de consultas públicas sectoriais e territoriais, a inclusão de representantes da sociedade civil, das comunidades afetadas pelos conflitos e dos parceiros internacionais, bem como mecanismos participativos para a definição das prioridades de segurança nacional.
Medidas concretas
Modernização integrada das Forças de Defesa e Segurança
Implementar um programa abrangente de modernização das FADM e demais forças de segurança, assente em quatro pilares fundamentais: equipamentos, infraestruturas, doutrina e profissionalização. Este programa deve garantir a prontidão e sustentabilidade das forças para enfrentar os desafios do presente e do futuro, incluindo a aquisição de meios técnicos avançados (drones, viaturas táticas, equipamento de comunicações) e a melhoria das condições de trabalho e de vida dos militares e agentes .
Reforço da resposta ao terrorismo e à criminalidade violenta
Intensificar as operações no Teatro Operacional Norte, com especial incidência nos distritos de Cabo Delgado e Nampula, garantindo a alocação de forças na proporção dos desafios existentes. Reforçar o patrulhamento nas áreas urbanas e suburbanas para combater o recrudescimento da criminalidade, com medidas enérgicas que devolvam a segurança e tranquilidade públicas. Estabelecer um sistema de inteligência integrado que permita antecipar e neutralizar ameaças antes que se materializem .
Controlo rigoroso de armas e munições
Reforçar as medidas de controlo das armas na posse do Estado e intensificar os esforços para recuperar armas que ainda se encontram nas mãos de pessoas não autorizadas. Dar continuidade às campanhas de recolha de armas de fogo ilegais ou em situação irregular, como a iniciativa liderada pelo Ministério do Interior que permitiu arrecadar mais de 160 armas em 2025. Implementar um sistema eletrónico de rastreamento e gestão do arsenal das forças de defesa e segurança .
Fortalecimento da coordenação internacional com salvaguarda da soberania
Consolidar e aperfeiçoar as parcerias internacionais com países e organizações que apoiam Moçambique no combate ao terrorismo e na formação de quadros, nomeadamente Ruanda, a SADC, a União Europeia (através da EUTM-MOZ), Portugal e a Rússia. Estabelecer mecanismos claros de coordenação que potenciem a eficácia do apoio externo sem comprometer a soberania nacional e o comando operacional das forças moçambicanas. Criar um quadro de avaliação periódica destas parcerias .
Transparência, direitos humanos e proximidade com as comunidades
Implementar mecanismos rigorosos de supervisão e prestação de contas da atuação das Forças de Defesa e Segurança, garantindo o cumprimento dos princípios éticos, o respeito pelos direitos humanos e a apuração célere de eventuais denúncias de atrocidades. Reforçar a formação dos efetivos em matérias de direitos humanos e direito internacional humanitário. Promover a proximidade com as populações através de ações cívico-militares, programas de sensibilização comunitária sobre saúde e segurança, e envolvimento das lideranças locais, confissões religiosas e rádios comunitárias na prevenção de conflitos e na construção de um ambiente de segurança participado e legítimo .
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